quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Pequeno discípulo


Preito a Sophia de Mello Breyner Andresen

O teu arado sulcou

Laboriosamente campos agrestes,

Onde cedo semeaste sementes,

Transformando-os em searas temporãs.

Hoje, visito-os assistindo comovido

Ao ondular sereno

Das espigas maduras de teus versos!

Sou um pequeno agricultor modesto

Que não tem teu estro,

Nem enxada para o cultivo dos seus campos.

Um pequeno discípulo

Maravilhado com a obra de seu mestre!

António Sousa

Efemeridade


O “ Sempiterno “

Dominar as terras, os mares, as galés
Teve o Homem por façanhas
E só o momento de pertença.
Tem o chão necessário para os pés,
Nuas as mãos qual sol na montanha
E um efémero olhar de hortênsia!


António Sousa





segunda-feira, 5 de novembro de 2007

O Outono arranca as últimas folhas...

O Outono arranca as últimas folhas das árvores, mas não as do meu jardim que tenho em mim.
Estas são perenes e, apesar de algumas intempéries, permanecem firmes e fortes porque foram plantadas no coração na melhor estação. Assemelham-se às da minha rua humana na cor e no drama. As minhas são solícitas, solidárias,apaixonadas por todas as folhas humanas porque há nervuras de humanidade na adversidade e na jovialidade!

António Sousa